OPINIÃO – GUILHERME COSTA – MACHISMO NA POLÍTICA OU FALTA DE PALAVRA? O DILEMA DE TRÊS VICE-PREFEITAS NO CEARÁ

OPINIÃO – GUILHERME COSTA l Por que alguns prefeitos não estão apoiando suas vice-prefeitas, que seriam as candidatas naturais nas eleições desse ano? Fomos às ruas para escutar a população.

E com base nos relatos, construímos a nossa opinião a cerca do tema: MACHISMO NA POLÍTICA OU FALTA DE PALAVRA? O DILEMA DE TRÊS VICE-PREFEITAS NO CEARÁ.

Dezenas de grupos políticos e seus líderes acabaram fazendo história, tanto nos municípios, quanto nos estados. Até aí, não há nenhum problema, pessoas se unem por ideais e objetivos comuns desde que o mundo é mundo.

O problema reside quando dentro da linha do tempo, esses grupos vão se fechando, tanto em torno de uma única família, que ninguém ao redor parece importar mais. E o que era grupo, composto por vereadores, lideranças, deputados de outras siglas, se transforma num almoço de domingo.

A Lei exige que filhos não sejam sucessores dos pais em cargos como de prefeito ou governador, por exemplo. E nessas horas, essas “famílias” acabam procurando mulheres para a composição de suas chapas. A mulher tende a atrair votos de outras mulheres, dá uma leveza ao discurso, por conta de questões sociais e de saúde, são melhores assimiladas pelo o eleitor. A alcunha de arrogância de alguns “cabeça de chapa” cola menos, enfim… No nosso Ceará, isso aconteceu em Aracati, em Sobral e em Cascavel, até temos mais exemplos, mas vamos ficar com esses três… todas essas cidades elegeram prefeitos com vices mulheres, e em todas elas existiu um acordo de que chegada a hora da sucessão, elas seriam as candidatas naturais desses prefeitos na impossibilidade de reeleição.

Acontece que a hora chegou e o que fizeram esses prefeitos? “aparentemente” essas mulheres forram isoladas e os prefeitos se recusaram a apoiar suas vices nessas eleições de 2024. Alguns mais pomposos, estão chamando isso de violência de gênero contra as mulheres na política, eu chamo de sem palavra.

Vice-prefeitas como Dra. Denise (PT) em Aracati e Christianne Coelho (PDT) em Sobral viraram vice dos atuais prefeitos em 2017. Continuaram na reeleição e agora deveriam ser apoiadas pelos prefeitos para disputarem as eleições, mas isso não aconteceu. Há muito tempo as duas vem sendo escanteadas pelos prefeitos e agora eles não querem apoiá-las. Parece que preferem nomes mais “dóceis”, que aceitariam vencer as eleições em troca de uma procuração para que as famílias no poder continuassem mandando nas cidades. Parece ainda que depois de quase 8 anos como vices, essas mulheres ganharam musculatura política, voz própria, ideias próprias e não topariam ganhar para não tomarem suas próprias decisões. Se pudessem, esses prefeitos colocariam os filhos nas eleições, mas como não podem, preferem escolher outras mulheres para descumprirem os acordos daqui 4 anos e lançarem seus filhos, como já foi até alardeado em Aracati.

Denise e Christianne tem projetos próprios e daqui 4 anos gostariam de disputar suas eventuais reeleições, o que é normal. Mas isso fere os interesses das famílias desses prefeitos que estão se despedindo das cidades. O que fazer, então? Eles deixam de apoiar suas vices, escolhem outro nome (de preferência o de uma mulher, como acontecerá em Aracati e Cascavel) e torcem para seguirem mandando por mais quatro anos, até darem outra rasteira e apoiarem familiares para continuarem no poder.

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