A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece) para investigar a Enel realizou, nesta quarta-feira (24), oitiva com o atual diretor-presidente da distribuidora no Estado, José Nunes de Almeida Neto, que assumiu o cargo no dia 4 deste mês. O testemunho do executivo é um dos mais aguardados pelo colegiado.
Pouco antes do início da oitiva, inclusive, a Justiça Estadual concedeu habeas corpus preventivo a José Nunes de Almeida, para que ele fosse ouvido como testemunha, e não investigado. Todavia, a convocação do colegiado já previa a participação do diretor-presidente na condição de “convidado”. A medida apenas reforçou a colocação, garantindo a Nunes o direto ao silêncio, caso ele assim desejasse.
Apesar do habeas corpus, o executivo não se negou a responder aos questionamentos do relator do colegiado, deputado Guilherme Landim (PDT), responsável pela apresentação do relatório final aos membros da CPI da Enel. Ele quem irá indicar possíveis punições à empresa, caso assim identifique como necessário. Antes de ser enviado aos órgãos competentes, o relatório precisará ser aprovado. A expectativa é que o documento fique pronto no início de maio.
Na ocasião, o diretor-presidente da Enel Ceará reconheceu “falhas” da empresa e disse que há um novo plano de investimentos para melhorar a prestação de serviço no Estado, com uma previsão orçamentária de R$ 1,6 bilhão ao ano pelos próximos três anos.
Veja abaixo as principais respostas do presidente sobre a prestação de serviço da empresa no Estado.
Má prestação de serviço
Questionado sobre a culpa pela quantidade de multas que a Enel recebeu devido à má prestação do serviço no Ceará nos últimos anos, o diretor-presidente afirmou que a empresa não é conivente com as incorreções e, por isso, vem passando por uma reestruturação.
“Eu lhe asseguro que, absolutamente, a direção da Enel não é conivente com as penalidades e eventuais incorreções. A Enel passou, no Brasil e no Ceará, por uma recente reestruturação, com o propósito de focarmos intensamente na nossa atividade de distribuição e buscarmos resgatar níveis de excelência que tivemos no passado. Pude compartilhar por seis anos a Enel sendo a melhor distribuidora do Brasil, aqui no Ceará. Nosso propósito é retrilhar esse caminho”, frisou José Nunes Almeida Neto.
Investimento no Estado
Para voltar a conquistar a credibilidade dos cearenses na empresa, o executivo disse que a Enel Ceará tem um plano de investimentos de R$ 1,6 bilhão, focado, principalmente, em aumentar a relação de proximidade com o cliente e agilidade dos serviços.
“O que o cliente mais nos cobrar é proximidade, empatia e agilidade nas demandas. Essa proximidade, desde o (meu) primeiro dia na Enel, isso numa estrutura Brasil, porque também mudou nosso presidente a nível Brasil, a (Enel está) em busca de uma empatia e de maior proximidade com o cliente”, reforçou.
Para isso, segundo ele, a empresa tem buscado resolver problemas de forma “conjunta” com órgãos e população.
Contratação e formação de profissionais
Uma das mudanças deverá ser o aumento na contratação de profissionais próprios, já que a maioria dos técnicos e eletricistas da companhia são terceirizados.
“Nós temos uma estruturação para contratação de profissionais próprio. Nós somos uma empresa que é muito terceirizada, nós trabalhamos com 10.650 profissionais, e tínhamos aproximadamente 1.040 profissionais próprios”, reforçou.
“No sentido de estruturar melhor a área técnica e poder propiciar essa maior agilidade, nós construímos três centros de formação e treinamento com o Senai, um em Fortaleza, um outro em Sobral e um outro em Juazeiro do Norte. Contratamos 446 eletricistas formados por esses centros com 320 horas de formação. Contratamos também duas turmas de mulheres eletricistas”
José Nunes Almeida Neto
Diretor-presidente da Enel Ceará






