A morte de uma jovem de apenas 20 anos dentro da Unidade Prisional Feminina Desembargadora Auri Moura Costa, no Ceará, levanta questionamentos e gera comoção entre familiares e pessoas que acompanham o caso. A família de Gabriele Ribeiro da Silva cobra esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte ocorrida no último dia 24 de maio de 2026.
Segundo informações repassadas à família pela direção da unidade prisional, Gabriele teria cometido suicídio por enforcamento utilizando um lençol dentro da própria cela, por volta das 11 horas da manhã. A jovem dividia o espaço com outras detentas no momento do ocorrido.
As circunstâncias da morte, no entanto, despertam dúvidas e estranheza. Familiares questionam como o suposto suicídio teria ocorrido sem qualquer intervenção das demais internas que estavam na cela. “Nenhuma delas percebeu? Nenhuma tentou impedir?”, indaga a família, que afirma aguardar respostas oficiais.
Gabriele estava presa desde o dia 27 de novembro de 2025, acusada de violência doméstica contra a própria mãe. O processo tramita na Comarca de Beberibe. Segundo a defesa, a jovem era portadora de esquizofrenia e possuía histórico de transtornos mentais graves. Em razão disso, havia sido instaurado um incidente de insanidade mental no processo criminal.
Ainda conforme a defesa, Gabriele não deveria permanecer em unidade prisional comum, mas sim receber tratamento adequado em instituição psiquiátrica especializada. Pedidos nesse sentido teriam sido formulados ao Judiciário ao longo da tramitação do processo.
A perícia psiquiátrica da jovem estava agendada apenas para novembro de 2026. Durante o período de prisão, diversos pedidos de liberdade foram apresentados pela defesa, todos negados. No último dia 19 de maio de 2026, houve nova decisão judicial mantendo a prisão de Gabriele. O habeas corpus impetrado chegou a receber parecer favorável do Procurador de Justiça, Plácido Barroso Rios, mas acabou sendo negado pelo desembargador Francisco Carneiro Lima.
A família afirma que aguarda o laudo cadavérico e demais informações oficiais da administração penitenciária para avaliar quais medidas legais serão adotadas. O caso poderá ser acompanhado também pelo Ministério Público e pelos órgãos responsáveis pela fiscalização do sistema prisional.
A morte de Gabriele reacende o debate sobre saúde mental no sistema carcerário brasileiro e sobre a permanência de pessoas com transtornos psiquiátricos graves em unidades prisionais comuns, sem acompanhamento especializado adequado.




